O mercado dos utilitários continua (e bem) a ser dominado pelos motores a gasolina.  Depois da era dos 1.2 atmosféricos, são agora os 1.0 turbo que ditam as regras e que animam o segmento de maior sucesso em Portugal. O Hyundai i20 e o Seat Ibiza estrearam dois blocos mil turbo a rondar os 100 cv no início de 2016. É agora a vez da Suzuki lançar um novo Baleno com motor e potência idêntica. Será o novo japonês capaz de “arrasar” a concorrência?

O nome Baleno existe na marca Suzuki desde 1995. Há 20 anos o paradigma automóvel era diferente e este modelo era comercializado em várias carroçarias: três portas, sedan e carrinha. Em 2016, o nome volta à ribalta e, nesta fase, define um segmento B na marca japonesa. Bem, um segmento B quase C, uma vez que as dimensões interiores são generosas, acabando quase por canibalizar o Swift, que se mantém no catálogo da Suzuki. Para que o regresso se fizesse com pompa e circunstância a marca japonesa desenvolveu um novo motor 1.0 turbo de 111 cv, mas também o fez para não perder o comboio, já que, hoje em dia, quase todos os construtores comercializam propostas similares. Para avaliarmos as capacidades deste novo Baleno no mercado nacional, nada melhor do que confrontá-lo com dois reputados modelos com motores igualmente evoluídos: Hyundai i20 e Seat Ibiza.

Em relação ao Baleno, a atenção ao detalhe visível em alguns pormenores de acabamento (por exemplo, os plásticos são todos rígidos, mas possuem uma montagem justa e sem folgas), deixa antever que daqui a alguns ainda vão ter bom aspeto e produzir poucos ruídos parasitas. Os dois concorrentes não lhe ficam atrás e seguem o mesmo (bom) exemplo. Especialmente o modelo espanhol, que à boa montagem associa materiais de toque mais apurado. O i20 também apresenta boa montagem, mas o aspeto cuidado não está ao nível do modelo espanhol, nem sequer do Baleno, que consegue uma imagem um pouco mais apelativa.

Gasolina?

A resposta é sim! Neste segmento, os motores a gasolina reinam: são mais leves; mais potentes; fazem menos ruído; vibram menos, mesmo estes três cilindros e, sobretudo, são significativamente mais baratos – as diferenças de preço chegam aos 2500 euros quando comparados com os Diesel em igualdade de equipamento (o Baleno não tem Diesel na gama)

E nestes contendores temos três bons exemplos de motores 1.0 turbo. Cada um à sua maneira estes três cilindros conseguem ter desempenhos exemplares. O do Baleno, por exemplo, é uma verdadeira “joia”. Suave, equilibrado, silencioso e disponível desde os baixos regimes, este bloco ainda reserva um pequeno “boost” final na casa das 4500 rpm que proporciona um real prazer de condução. É um motor que dá gosto “puxar”, sendo bem evidente a vantagem de potência disponível nos altos regimes. E o melhor é que esta alegria não se paga na altura de ir à bomba, com os consumos a registarem excelentes valores – os 5,8 l/100 km em cidade estão ao nível dos obtidos por alguns Diesel do segmento. Mas, Seat e Hyundai também não ficam assim tão para trás, aliás, como foi referido estamos perante três dos melhores motores 1.0 turbo do segmento.

Já o 1.0 TSI do Seat revela uma impulsão pouco comum a baixos e médios regimes para um motor tão pequeno. Na prática, o Ibiza também tem um motor muito cheio que recupera bem nas mudanças altas sem que seja necessário recorrer à caixa, aumentando a facilidade de condução. Os 95 cv de potência máxima aparecem às 4800 rpm e não vale a pena insistir para lá das 5000 rotações, o que pode limitar a emoção de condução.

Depois de conduzir Seat e Suzuki, o Hyundai ainda tem estaleca para surpreender. O i20 anda bem, tem a caixa de relações mais curtas, o que implica que este seja o motor mais suscetível de ver os consumos dispararem se abusarmos do acelerador, e facilmente atinge velocidades proibitivas. O problema é que o resto do conjunto não acompanha o vigor do três cilindros turbo coreano. A direção é inerte e não tem muita precisão, e a suspensão, de taragem firme, em conjugação com as jantes de 15” não faz do i20 um carro assim tão confortável. O Ibiza, por exemplo, tem um pisar muito mais sólido e robusto. A veia desportiva do motor Suzuki também não consegue ser acompanhada pelo chassis. Pouco neutro e pouco preciso, é quase impossível fazer uma inscrição em curva mais célere sem que este se torne subvirador. Portanto, se não se interessa assim tanto com a eficácia dinâmica e se prefere mostrar os “gadgets” de equipamento aos amigos, este Baleno é a escolha ideal. Até porque o espaço no habitáculo é outro dos seus trunfos. Aliás, pode ver nas nossas medições interiores que o modelo nipónico consegue cotas ao nível de um segmento C. As rodas nos extremos da carroçaria permitem esta vantagem, até porque, curiosamente, o Baleno até é o carro mais pequeno em comprimento. Até a bagageira é a maior do confronto: são 355 litros face aos 301 de Hyundai e 292 litros do Seat. Os trunfo do Hyundai são o preço, a garantia e a oferta de cinco anos de manutenção, ao passo que o Seat conta com o melhor valor de retoma e uma imagem no mercado nacional que é difícil de igualar. A qualidade interior e o conforto são outros dois trunfos do Ibiza, que foram vincados com o último restyling do utilitário espanhol.

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