À Alhambra espaçosa juntámos os motores Diesel mais potentes, caixa DSG e quase todo o equipamento que conseguem montar em Palmela para percebermos se além de um excelente familiar transportador de pessoas, o maior de todos os Seat tem algo mais para oferecer.

A fórmula do monovolume português saiu tão bem que geneticamente poucas alterações recebeu nos seus quase 20 anos de existência. Nesta última evolução, aqui representada pela Seat Alhambra, está mais sofisticada do que nunca. O formato monovolume está a cair em desuso, mas nestas proporções continua a ser imbatível na arte de levar até sete pessoas. Nos monovolumes mais pequenos, como os do nosso comparativo desta semana, os dois últimos lugares são sempre os do castigo, por serem mais pequenos, acanhados e encafuados. E quando estão em uso a bagageira quase desaparece. Este Alhambra, mantendo-se abaixo dos cinco metros e das duas toneladas, assegura conta, peso e medida para um uso diário, ao contrário dos furgões de 7 a 9 lugares, garantindo efetivos sete lugares e ainda espaço de bagagem considerável. Com sete pessoas a bordo cabem duas malas grandes ou vários sacos, já que os dois últimos bancos, quando extraídos do piso, libertam um imenso “buraco”; e, por exemplo, com quatro adultos a bordo ainda é possível encaixar outras tantas bicicletas na imensa bagageira e jogando com a versatilidade dos bancos, que deslizam, rebatem e dobram. Mas até aqui tudo é comum à Alhambra mais barata de 115cv que testámos na semana passada e que custa menos de 39 mil euros. Esta unidade marca diferença por acrescentar à modularidade familiar, requinte para todos (o interior pode ser personalizado com quase 10 mil euros de opcionais entre os quais se destacam o teto de abrir gigantesco, a climatização individualizável entre zonas, os revestimentos em “pele” dos bancos que também podem ser elétricos) e mais alma para o condutor.

Ponto de equilíbrio

O motor 2.0 TDI sobe aos 150 cv, uma cifra que se tem mostrado muito equilibrada também noutros modelos Seat e, quase tão importante, é auxiliado pela famosa caixa de dupla embraiagem DSG. Genericamente, a junção de um carro pesado a um motor de potência contida dilui-se melhor com caixa manual, já que é possível atenuar os pontos fracos com uma relação de caixa abaixo do natural (baixas rotações, antes do turbo “entrar” e esgotar das rotações limite para “esmifrar” a potência). Mas isto torna-se demasiado trabalhoso para uma condução familiar; e é uma função que a DSG cumpre na íntegra, tendo ainda a famosa rapidez para responder a solicitações à medida do condutor através das patilhas do volante. Isto é mais um entretém de entusiasmo do que propriamente uma necessidade, já que a DSG está sempre muito atenta ao regime ideal. Ao evitar as rotações fora do ponto (a mais ou a menos) a DSG também ajuda a conseguir consumos mais comedidos, abaixo até dos da Alhambra de 115cv com caixa manual. Não apenas para uma condução mais ritmada torna-se fundamental a opção pelo chassis adaptativo (890€), o DCC. Estes amortecedores pilotados (variam a firmeza) permitem usar molas mais macias, que num carro com elevada massa suspensa resultam sempre em muito conforto, para andamento com poucas curvas (modo Comfort) e suster as oscilações da carroçaria (modo Sport) limitando o movimento dos amortecedores. O resultado é muito bom na Alhambra, mas como não há função “auto”, é mesmo conveniente selecionar o “S” quando chegam curvas mais rápidas ou a velocidades acima dos 80 km/h em autoestrada. Nesta posição a suspensão mais estável também atenua a menor precisão da direção no ponto neutro; em contraste com um dos automóveis com mais pontos positivos numa utilização familiar intensa e numerosa.

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