Se acha que os diesel estão inflacionados, pense que há um pequeno motor a gasolina que anda o mesmo e custa menos.  Quem diria que o propulsor de três cilindros com uma capacidade de mil centímetros cúbicos e sistema de alimentação TSI assentaria tão bem no Ateca?

Ainda se questiona de que vale ter um motor “mil” num crossover como o Seat Ateca? Então pense nisto: ter um 1.0 a gasolina custa menos 2500€ que um 1.6 Diesel (são, grosso modo, 33 depósitos de gasolina) e a performance não é assim tão diferente. Em Portugal, e na generalidade dos mercados, o motor 1.0 TSI de 115 cv (gasolina, de três cilindros, sobrealimentado) só existe na gama Ateca com o nível Style, ou com o nível inferior Reference (por 24 093€, menos 2340€ que um Diesel Reference). Significa que a linha de equipamento XCellence fica guardada para as versões mais potentes. Equipado com o 1.0 TSI, o Ateca fica a pesar menos de 1300 kg, o que é desde logo uma vantagem na relação peso/potência (11,1 kg/cv) face ao 1.6 TDI, que torna esse Ateca mais pesado (1375 kg) e faz cada cavalo de potência ter que “puxar” 12 kg.

Parece pouco significativo? Mas a ideia é, verdadeiramente, que exista uma versão a gasolina que se equipare a um Diesel. Dar capacidade de escolha ao cliente. Há quem prefira mesmo o conforto e a suavidade de um motor a gasolina, por oposição à força mais bruta de um motor a gasóleo, que normalmente se faz acompanhar do gargarejo e do tremelique tradicionais. No caso vertente, e mesmo tratando-se de um três cilindros – arquitetura que naturalmente dificulta a missão de equilibrar o funcionamento, por ausência de um cilindro que faça número par – o desempenho acústico do motor é bastante aceitável, sobretudo se o condutor resistir a não exceder as 3000 rpm. Até lá, o 1.0 TSI é singelamente progressivo, mas, valha a verdade, não é especialmente encorpado antes das 2000 rpm. Talvez por isso perca ligeiramente para o 1.6 TDI nos primeiros metros de um arranque, mas ao atingir os 100 km/h já está a ser 0,4 segundos mais rápido, de acordo com as medições aferidas pelo Autohoje – em piso molhado.

Por outro lado, às 1500 rpm o Diesel já descarregou nas rodas todo o binário disponível, o que se reflete em melhores recuperações nas relações inferiores. O 1.0 TSI, porém, não se envergonha nada com as suas “reprises” e tem uma vivacidade totalmente apropriada ao caráter dinâmico e divertido de conduzir do crossover espanhol, contando que se mantenha o taquímetro alegremente nos arredores das 2500 rpm. Impõe-se alguma cautela, porém, se o condutor andar mais preocupado com os consumos. Acima desse regime é fácil convencer o computador de bordo a saltar para os 8 l/100 km de média; abaixo, nos valores normalizados, é mais fácil chegar a consumos convincentes, como os que foram aferidos em estrada, terreno onde o Ateca vai serenamente embalado pelas últimas relações de escalonamento longo.

É possível que isto não chegue para convencer os defensores do Diesel. Nem mesmo dizendo que o 1.0 TSI acabou o teste com média ponderada 0,2 l/100 km inferior à do 1.6 TDI. Mas a culpa não é dos defensores do Diesel, mas sim da gasolina ser tão cara em Portugal.

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